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Por que semanada, quinzenada e mesada?

Sexta, 03 Fevereiro 2012 18:03

Ter um relacionamento saudável com o dinheiro é uma das fontes de saúde, tranquilidade e felicidade. E esta relação deve ser desenvolvida desde cedo, com exemplos positivos para que a criança se torne um adulto que sabe poupar e conhece as funções do dinheiro na sociedade.

Aos pais cabe a tarefa de estimular seus filhos para o melhor relacionamento com o dinheiro. Para isso a melhor e mais importante lição é o exemplo, afinal as crianças copiam os modelos dos pais em tudo, incluindo os financeiros. Assim, é também importante orientá-las a administrar bem desde as primeiras moedas que chegam as suas mãos. E uma boa ferramenta para isso é a semanda.

Ela tem a função de sedimentar a ideia de tempo na qual a criança terá que gerenciar determinada quantia. Vale lembrar que a noção de tempo da criança é muito diferente da que tem o adulto, por isso a brevidade da administração deve ser relacionada a pequenas quantias.

Uma dica é estabelecer uma quantia de dinheiro a ser entregue semanalmente aos filhos a partir da entrada dos mesmos no ensino fundamental. Este valor tem o objetivo de, juntamente com as primeiras operações aritméticas, levar a criança a adaptar-se ao uso do dinheiro, fazer suas escolhas, descobrir seus limites, adequar-se aos modelos, testando-os. O valor, na infância, deve ser equivalente a um Real por idade. Assim, se a criança tiver 7 anos, vai receber sete Reais por semana.

A partir dos 12 anos de idade, recomendo uma mudança nessa dinâmica: a quinzenada. Uma quantia maior para ser administrada em mais tempo, ou seja, dar dois Reais por idade a cada quinzena. Lá pelos 14 anos de idade, é hora de mudar o modo de entregar o dinheiro. Variar as datas de entrega do dinheiro e as quantias por um ano, mantendo a média estabelecida e depois voltar ao valor fixo em datas fixas por mais um ano. Esta metodologia tem o objetivo de treinar a criança a receber seu dinheiro de duas maneiras: o valor fixo em data fixa, ensina a receber remuneração como assalariado. A forma variável ensina a receber como artista, empresário, empreendedor. Assim, partindo do pressuposto que os pais não sabem o que a criança será no futuro, não estarão limitando o talento dos filhos pela forma como eles aprenderam a ser remunerados.

É importante destacar que as idades citadas podem variar, de acordo com o nível de maturidade de cada criança e que mesada ou semanda não são obrigações. Elas devem ser dadas se os pais tiverem condições financeiras para tal e somente com o objetivo educacional. Para isso, a criança deve fazer a gestão total do seu dinheiro, e os pais devem acompanhá-las nas decisões e escolhas, orientando sempre, levando-as a entender que o dinheiro, para a criança, tem 3 funções: gastar hoje com o que quiser; guardar uma parte para gastar no futuro; e doar outra parte.

Sobre "gastar hoje", incluem seus gastos do dia-a-dia, como a compra de um lanche, a figurinha ou a bala. No item “gastar no futuro”, a criança vai se acostumar com a ideia de que, ela precisa poupar e investir para a compra de bens de maior valor, assim ela poderá treinar planejando a compra de um tênis, um videogame, uma bicicleta. A idéia de "doar" é para a criança entender que ela pode lidar bem com o dinheiro distribuindo-o com equilíbrio e pode treinar isso daondo brinquedos que não usa mais, roupas que ficaram pequenas, tempo, conhecimento. Assim, ela perceberá  que o dinheiro não é um fim em si mesmo, e sim, uma ferramenta importante para produzir trabalho, desenvolvimento, saúde, crescimento, não só para si, mas também para a sociedade.

Já a mesada pode ser estabelecida a partir de um cálculo das necessidades dos filhos lá pelos seus 17 ou 18 anos, podendo ser antecipada com a entrada na faculdade, se isso acontecer antes. Recomendo incluir seus gastos gerais, dando a eles a responsabilidades de pagar suas contas, guardar e administrar recibos, notas fiscais e comprovantes, orientando-os já para a administração e organização de documentos. Aqui é o momento de ensinar a quarta função do dinheiro: não gastar. É a parte do dinheiro que acumulada regularmente, garantirá o rendimento necessário para a tranquilidade no futuro. Trata-se de um montante que, depois de lhe servir na maturidade e na velhice, será repassado aos seus dependentes ou à sociedade ao fim da vida.

Agindo assim, os pais poderão formar cidadãos capacitados para o uso do dinheiro de modo equilibrado, num ciclo virtuoso, pois esses cidadãos ensinarão o mesmo a seus filhos e gerarão riqueza para suas famílias e o país.

Autor: Rogério Olegário do Carmo