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Um telefone de 3 mil reais

Terça, 11 Novembro 2014 22:19
Sábado, dia 08 de novembro de 2014, recebi a visita de um amigo. No meio da conversa ele me disse que estava muito ansioso para a chegada da novidade da semana, o iPhone 6.
 
Ele, o meu amigo, estava tão entusiasmado que explanou, por quase meia hora, tudo sobre o tal equipamento. Deu tantos detalhes que até me fez pensar que ele já vinha usando-o há mais de ano. Finalmente, chegamos ao preço do aparelho. Me assustei com o valor e nossa conversa seguiu assim:
 
RO - Você está falando de um telefone de três mil e duzentos reais?
AM - Sim! Qual o problema?
RO - Achei o preço salgado demais. Qual é o preço nos EUA?
AM - Desbloqueado... Seiscentos dólares... Acho...
RO - O preço aqui está abusivo...
AM – Bobagem sua, é o preço... As pessoas pagam...
RO – É justamente por causa deste pensamento que o preço é alto...
AM – Você... Sempre pensando em melhorar o dinheiro das pessoas, não é?
RO – É a minha missão... Acho... E qual é a sua?
AM – A minha é manter-me atualizado com as novidades tecnológicas!
RO – Inclusive comprando-as, certo? Já pensou no custo total desses aparelhos, pelo preço praticado aqui? Já imaginou a qualidade de vida que estes recursos, se fossem poupados, poderiam lhe proporcionar?
AM – Não! Você pode me dar um exemplo?
RO – Sim, vários... Poderia lhe dar centenas de exemplos, mas como sei que você guarda pouco para sua aposentadoria... Lembra-se da nossa última conversa?
AM – Claro... Aposentadoria... Daqui a 25 anos... Ótima ideia!
RO - Precisarei fazer contas e algumas consultas... Me dê uma licencinha...(levantei-me e fui pegar meu MacBook que tem 4 anos de uso).
AM – Fique à vontade, só quero ver... Espero que você me ajude a enriquecer...
 
Alguns minutos depois...
 
RO – Você está pronto prá me ouvir?
AM – Sim, tenho todo o tempo do mundo...
RO – Então vamos lá, prepare-se para se surpreender... Considerando que:
1 - a Apple lança um iPhone novo por ano;
2 - o preço do mesmo é de R$ 3.199,00 e, provavelmente, o será em todos os anos pelos próximos 25 anos;
3 - você terá R$ 3.199,00 todos anos para atualizar seu telefone, mas imaginando que você não o fará, decidindo trocar de aparelho, apenas, a cada 5 anos;
4 - os valores não gastos anualmente poderão ser investidos eficientemente (rentabilidade = 12% a.a. e taxa de adm. = 1% a.a.).
Assim, comprando um telefone novo a cada 5 anos e investindo os recursos não gastos, podemos concluir que você:
AM - “Pera aí”, “Pera aí”, 5 anos?... É muito tempo prá ficar com um telefone...
RO - Se não me engano, ouvi você falar em ficar rico... Posso prosseguir?
AM – Sim, vá em frente...
RO – De acordo com as considerações apresentadas, a planilha que tenho aqui, mostra que você:
1 - no início do 25º ano terá trocado de aparelho apenas 4 vezes (anos 5, 10, 15 e 20);
2 - ao final do 25º ano você terá acumulado R$ 350.014,00, já deduzidos os impostos, comprará seu quinto iPhone por R$ 3.199,00 e terá de "troco" R$ 346.815,00... Pense bem... Que tal um telefone celular a cada 5 anos e trezentos e quarenta e seis mil reais na conta daqui a 25 anos?
AM – Trezentos e poucos mil não deixa ninguém rico...
RO - Isso é uma provocação? O que é ser rico para você?
AM - Entenda como quiser... Riqueza para mim é ter saúde, bons relacionamentos, como o que eu tenho com você e sua família e uma boa quantia no banco... Mas sendo sincero, trezentos mil não me animou... Eu adoro as coisas que a Apple faz e, por isso, não quero abrir mão de me manter atualizado, mas se você me mostrasse números mais interessantes, quem sabe eu toparia?
RO - Então tá... Espere mais um pouquinho... (novas consultas e novos cálculos)...
 
Alguns minutos depois...
 
RO - Adorei a sua definição de riqueza... Você adora tecnologia, confia no fabricante do seu iPhone e quer ficar rico... é isso?
AM - Haaaaa... Tudo de bom!
RO - Estou consultando a bolsa de tecnologia NASDAQ, nos EUA... Já que você adora, admira e confia na empresa que fabrica o seu telefone, que tal investir nela?
AM - E pode ser bom?
RO - Bom é pouco... Podemos dizer... Maravilhoso... Vejo aqui que as ações da Apple (AAPL), entre 12 de nov. 2004 e 07 nov. 2014, renderam 2.687,54%. Isso representa um crescimento anual de 38,97%. Tá aqui a solução...
AM - Mas a bolsa é perigosa e investir no exterior é proibido...
RO - Quem te disse isso? Você precisa se informar mais... Precisamos conversar mais sobre dinheiro e menos sobre futebol e tecnologia... Além do mais, você confia ou não na Apple? Posso fazer as contas?
AM - Você e suas ideias... Confio, claro... Calcule logo. Você está me deixando ansioso...
RO – Ok. Transformei os seus três mil e duzentos reais em dólares ao câmbio de hoje e, descontados os custos de envio, impostos e taxas, você poderá usar 1.220 dólares para comprar, uma vez por ano, ações de sua empresa favorita... Embora eu saiba que rentabilidades passadas não são garantias de rentabilidades futuras, mas considerando que as pessoas continuarão com esse frisson de comprar todas as novidades, poderemos supor que a rentabilidade da mesma, na NASDAQ, irá permanecer nos mesmos patamares encontrados, logo...
AM - Tá... E quanto terei ao final dos 25 anos?
RO – Doze milhões e meio...
AM - De reais?
RO - Não, de dólares, já deduzidos os impostos...
AM - Preciso de mais água...
...
Já sei, você quer saber como terminou a história... O meu amigo ficou pálido, sem ar, sem chão... E depois resolveu que irá trocar seu iPhone todos os anos.
Quanto a mim, farei o que recomendei ao meu amigo e o chamarei para conversar mais frequentemente, talvez eu consiga tocar no assunto novamente e, quem sabe, ele mudará de ideia?
 
E você, o que prefere, trocar seu iPhone todo ano ou a cada 5 anos? O cálculo foi meu, a decisão é sua. Um abraço.
 
Rogério Olegário do Carmo é consultor financeiro pessoal e especialista em administração financeira e mercado de capitais pela FGV. Possui em sua formação cursos de administração estratégica de recursos humanos e controle de qualidade, além de ser especialista em finanças pessoais e practitioner em programação neurolinguística. Possui cursos de análise transacional e de constelações familiares. É diretor executivo da Libratta Finanças Pessoais, com sede em Brasília.
Ele já ajudou centenas de famílias a organizarem seu relacionamento com o dinheiro, o que trouxe mais harmonia a prosperidade a seus lares. É co-autor do livro Família, Afeto e Finanças – Como levar cada vez mais dinheiro e amor em seu lar, em parceria com a sua esposa, a psicóloga, Angélica Rodrigues Santos.
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Autor: Rogério Olegário do Carmo